China pretende combater o crime com a utilização de câmeras de segurança com inteligência artificial

09 de Janeiro de 2018

China pretende combater o crime com a utilização de câmeras de segurança com inteligência artificial

Sistema deve estar em total operação até 2020, mas ativistas temem pela perda de privacidade

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Xue Liang, ou Olhos Atentos, em português, é o nome do programa do governo chinês que pretende integrar as 172 milhões de câmeras de segurança hoje existentes no país, entre públicas e privadas, para monitorar os cidadãos com a ajuda de um sistema que utiliza a inteligência artificial para o reconhecimento facial. 

Nesse esforço, juntam-se ao governo, estudantes, start-ups e até grandes empresa ocidentais de tecnologia como Google e Microsoft. A expectativa é que até 2020, o sistema já esteja onipresente e oniciente em todo o país. 

O objetivo proposto é o de combater os crimes. O sistema permite que um suspeito seja seguido através das câmeras de segurança, analisando, ainda, seus movimentos e linguagem corporal. No caso de um roubo de automóvel, por exemplo, além do criminoso ser imediatamente reconhecido, o sistema permitirá que o veículo seja seguido pelas câmeras em tempo real, facilitando enormemente sua recuperação e reduzindo drasticamente o preço do seguro. Entretanto, defensores da privacidade argumentam que o sistema pode ser utilizado para perseguir ativistas, dissidentes ou qualquer opositor ao regime chinês. 

Atualmente, o mercado do reconhecimento facial já movimenta mais de 3,3 bilhões de dólares (10,6 bilhões de reais) no mundo e poderia chegar a 7,7 bilhões de dólares (24,8 bilhões de reais) em 2022, segundo a consultora MarketsandMarkets. Bancos, companhias aéreas, telefônicas, fabricantes de computadores, todos se abrem a esta nova forma de identificação biométrica que significa um salto à frente em comparação com a impressão digital e a íris.

No ano passado, o aplicativo FindFace causou muita polêmica na Russia. Ele permite que uma pessoa pegue o celular e tire uma foto do passageiro à sua frente no metrô. O algoritmo do aplicativo então compara a imagem com as existentes na rede social Vkontakte (que conta com mais de 400 milhões de perfis) e, com uma eficácia de 70%, permite saber quem é essa pessoa. 

Com o desenvolvimento de tecnologias tão poderosas acontecendo a uma velocidade muito mais rápida que a capacidade de adaptação dos cidadãos e dos sistemas legais, provavelmente viveremos um futuro com mais segurança mas muito menos privacidade. Resta saber se é isso mesmo que queremos.
Ali, a tecnologia avança com os passos firmes da Face++, startup chinesa que derrotou no fim de outubro equipes do Facebook, Google e Microsoft em provas de reconhecimento de imagem na Conferência Internacional de Visão por Computador realizada na Itália. Naquele mesmo mês, a companhia levantou 460 milhões de dólares (1,5 bilhão de reais) em uma rodada de financiamento.

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