Inovação e tendência no trajeto do seguro

11 de Abril de 2018

Inovação e tendência no trajeto do seguro

Hyperloop e desafios da indústria seguradora frente às novas tecnologias em debate

O segundo dia do 7° Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, que termina hoje, na Barra da Tijuca, contou com painel dedicado às inovações e às tendências. Para isso, participaram dos debates o diretor Global de Desenvolvimento de Negócios para a Hyperloop Transportation, Rodrigo Freire de Sá, e o presidente da Swiss Re Brasil, Mathias Jungen, com  a conversa mediada pelo diretor Geral da Escola Nacional de Seguros, Renato Campos.

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O diretor Global de Desenvolvimento de Negócios para a Hyperloop Transportation, Rodrigo Freire de Sá

O primeiro a se apresentar foi o diretor da Hyperloop, que trouxe detalhes do projeto que pretende revolucionar o modo como as pessoas se locomovem. Resumindo, trata-se de um trem que utiliza levitação passiva magnética para percorrer, sem atrito, o trajeto por um túnel fechadoa vácuo, em até 1.200 Km/h. O primeiro trajeto a sair do papel deverá ser o entre as cidades de Abu Dhabi e Al Ain, nos Emirados Árabes Unidos, mas a construção de uma ligação entre São Paulo e Campinas tamém está em estudo pela empresa, que já conta com um centro de inovação e logística em Minas Geraes.

O projeto também tem o seu viés de sustentabilidade, visto que utilizará painéis solares para gerar mais energia do que necessita para a operação. Além disso, como os túneis ficam acima da terra, em pistas semelhantes às dos monotrilhos, a estrutura terá pouco contato com o solo, gerando menos impactos.

Em relação aos custos, Rodrigo afirmou que é o equivalente a um terço do custo de um trem de alta velocidade, custando cerca de US$ 15 milhões por quilômetro.

Mas, de acordo com o diretor do Hyperloop, mais revolucionária que a tecnologia empregada (que na verdade não conta com nenhuma desenvolvida exclusivamente para o sistema) é o modelo de negócio utilizado. Tudo começou com um paper produzido pelo dono da Tesla Motors, Elon Musk, propondo a idéia. Desde então, ela já conta com a adesão voluntária de mais de 900 cientistas e executivos de alto gabarito e 40 empresas, que só terão retorno financeiro quando o sistema começar a dar lucro. E entre as empresas envolvidas, a Munich Re, responsável por avaliar os riscos envolvidos no projeto.

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O presidente da Swiss Re Brasil, Mathias Jungen

Também presente no painel, o presidente da Swiss Re Brasil utilizou o exemplo da Hyperloop para demonstrar as profundas transformações pelas quais o mundo e o seguro atravessam. Enquanto a empresa de Rodrigo tem cerca de 4 anos de existência, a Swiss Re tem mais de 150 e, tanto ela, quanto as demais seguradoras e resseguradoras, afirmou Mathias, mudaram muito pouco no período. O que mudou foram os bens segurados. Se há 40 anos, como disse, 83% dos seguros eram relativos a bens físicos, atualmente, estes representam apenas cerca de 13%, havendo um peso bem maior na cobertura de bens intangíveis, como dados e propriedades intelectuais. Não surpreendentemente, em 1980, as empresas mais valiosas do mundo eram as indústrias de bens tangíveis, enquanto hoje, Google e Facebook, que não produzem nenhum bem físico, estão entre as de maior valor.

Tais transformações geram demandas por novos tipos de cobertura e enormes desafios para a indústria seguradora que precisam ser encarados. Com o advento dos carros autônomos e a redução no número de acidente que devem acarretar, por exemplo, os valores dos prêmios do seguro de automóvel devem ser reduzidos pela metade. Por outro lado, novas ameaças surgem, como a possibilidade de uma inovação hacker nesses veículos, que precisarão ser seguradas. A grande dificuldade nesses casos é fazer uma correta avaliação de riscos ao se lidar com situações totalmente novas. Para Mathias Jungen, entretanto, as seguradoras não podem recusar esses riscos, pois isso permitiria, simplesmente, que eles fossem assumidos por novos entrantes. E, se não bastasse, além das novas tecnologias, as mudanças climáticas também pressionam as empresas do setor. Como fica o Brasil, indagou o executivo da Swiss Re, que tem 80% de sua energia gerada por hidrelétricas, quando a água começar a faltar? Como as seguradoras podem prever essas variáveis para não comprometerem suas empresas, tanto em relação à questão financeira quanto a reputacional? Esta é uma pergunta que ele deixou em aberto.

A cobertura completa do 7° Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro pode ser acompanhado pelo Portal da CNseg, Rádio CNseg e pelas páginas da Confederação no Facebook LinkedIn.

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