Instituições financeiras discutem, em Buenos Aires, adaptações às mudanças climáticas

13 de Setembro de 2017

Instituições financeiras discutem, em Buenos Aires, adaptações às mudanças climáticas

Presidente da UNEP FI reconheceu a centralidade do seguro na agenda climática

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O polo regional para a América Latina da Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI), braço financeiro da Organização das Nações Unidas (ONU), promoveu em Buenos Aires, entre os dias 5 e 7 de setembro, a Mesa Redonda de Finanças Sustentáveis, com objetivo de aproximar as instituições financeiras para o compartilhamento de experiências e somar forças para a adaptação às mudanças climáticas.

O evento é a edição latina em comemoração aos 25 anos da iniciativa da ONU, que nesse ínterim buscou promover o diálogo com instituições financeiros para desenhar um sistema financeiro compatível com o desenvolvimento econômico vislumbrado pela Conferência Rio 92.

A palestra magna de abertura, proferida pelo presidente do Banco Nación Argentina, Javier Gonzalez Fraga, versou sobre a necessidade do pensamento econômico predominante incorporar no seu escopo teórico a preservação do meio-ambiente em um nível mínimo para a subsistência permanente da espécie humana. “Trata-se de uma questão ética, não apenas a gestão de recursos escassos”, afirmou.

No caso dos bancos, como podem quantificar o futuro sem considerarem os efeitos de uma economia em transição para baixa utilização do carbono, conforme acordado em Paris? “Se não acredita em promessas de governos, veja os furacões de Harvey e o recém formado Irma”, provocou o executivo argentino. Segundo o palestrante, o sistema financeiro se adaptará por necessidade ética e, principalmente, para sobreviver.

O Banco Nación Argentina, segundo Javier, já promove o acesso de populações de baixa renda à hipoteca, bem como utiliza uma lista de exclusões para garantir que o banco para não compactue com atividades danosas ao meio ambiente e à sociedade.

Os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável

Segundo Eric Usher, presidente da UNEP-FI, os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) são instrumentos desenhados pela ONU e aprovados na Assembleia Geral com o objetivo de harmonizar os interesses econômicos com os interesses sociais. “A tarefa é ainda mais contundente na América Latina, onde a miséria e pobreza formam uma dura realidade a ser enfrentada por governos e sociedades”, enfatizou o líder da ONU. Para ilustrar a necessidade de ação, sob a perspectiva ambiental/climática, Eric lembrou que 2016 foi ano com temperatura média mais elevada até então registrada na série histórica.

Brasil assume seu protagonismo

Assim como nas negociações do Acordo Climático de Paris (2015), o Brasil também tem protagonismo nas discussões sobre finanças verdes. Pela regulação do Banco Central, sob as diretrizes estabelecidas pela Resolução 4.327, os bancos precisam constituir uma política socioambiental, observando o princípio da proporcionalidade – isto é, considerando as dimensões das companhias e o escopo de atuação. No entanto, antes mesmo do marco regulatório, as grandes instituições financeiras brasileiras já discutiam a análise socioambiental de suas carteiras.

Seguro como ator chave

O presidente da UNEP FI, ao introduzir a seção sobre seguros, destacou que os Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI), que já têm mais de 100 apoiadoras no mundo todo, constitui uma das poucas iniciativas setoriais endossadas pessoalmente pelo ex-Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon. Trata-se do reconhecimento da instituição sobre a centralidade do seguro na agenda climática, sobretudo de seu papel triplo de tomador de risco, gestor de risco e importante investidor institucional.

E o Brasil, além de ser o país com o maio número de instituições signatárias dos PSI, foi também o país com o maior número de painéis no evento. O evento contou com representantes do BNDES, Alexandre Esposito e Daniela Baccas, da CVM, Claudio Maes, da Febraban, Mario Sergio Vasconcelos, do Rabobank Brasil, Thais Fontes, e da Sitawi, Leonardo Letelier.

Do mercado segurador, participaram representantes das empresas apoiadoras dos PSI: Bradesco, Itaú, SulAmérica, Terra Brasis e CNseg.

Representando a Bradesco, Raquel Marques da Costa apresentou a área de análise socioambiental na gestão de ativos financeiros, um dos braços técnicos para decisão estratégica de colocação da carteira. Já Denise Hill , representando o Itaú, apresentou o histórico do desenvolvimento do conceito de sustentabilidade na instituição, começando como Responsabilidade Social Corporativa, estando atualmente totalmente integrada a estratégia da companhia. Maria Eugenia Sosa, também representando o Itaú, apresentou a atuação da instituição financeira no tratamento de questões relativas aos Direitos Humanos.

Patrícia Coimbra e Tomás Carmona, representando a SulAmérica, que tem sua carteira majoritariamente composta por Saúde Suplementar, apresentaram para o público presente no evento um conceito de sustentabilidade menos difundido, mas não menos importante: a sustentabilidade como vetor de mudanças comportamentais no âmbito individual, destacadamente no cuidado com a saúde.

Beatriz Americano, representando a resseguradora local Terra Brasis, apresentou o seguro como como uma ferramenta de gestão de risco fundamental para o desenvolvimento sustentável de uma economia. A resseguradora, sob a perspectiva de Grandes Riscos, desenvolve uma série de estudos para contribuir com a mensuração dos desastres naturais e uma consequente melhoria da gestão de riscos por parte de sua rede de parceiros.

Representando a CNseg, como ouvinte, esteve presente Bernardo Barroso, da Superintendência de Acompanhamento de Conduta de Mercado.

>> Acesse a agenda completa do evento aqui.

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