Planos de saúde não lideram ranking dos mais reclamados no país

12 de Março de 2018

Planos de saúde não lideram ranking dos mais reclamados no país

Reportagem exibida no Bom Dia Brasil (TV Globo) não leva em conta os números do Sindec e da ANS

O programa jornalístico da TV Globo, Bom Dia Brasil, dessa segunda-feira (12), exibiu uma reportagem apontando que os planos de saúde lideram o ranking de reclamações do Idec – Instituto de Defesa do Consumidor – como se retratasse a realidade brasileira.

“Trata-se de uma inverdade facilmente constatada por levantamentos idôneos e públicos, com relevância estatística – diferente desse do Idec que pretende retratar o panorama nacional, mas só traz o status de seus associados”, afirma Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da FenaSaúde.

Antes da matéria ir ao ar, a FenaSaúde foi procurada e encaminhou à produção do programa as informações abaixo, na última sexta-feira (09).

Confira abaixo a nota de posicionamento enviada pela FenaSaúde ao Bom Dia Brasil

Os planos de saúde não lideram a lista de serviços mais reclamados pelos consumidores, como propaga o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) – entidade que defende interesses de aproximadamente 10 mil membros associados pagantes.

Segundo a metodologia da própria entidade, vale ressaltar, uma demanda não configura uma reclamação propriamente – tanto que do total de 7.678 solicitações em 2016, 40% tratavam de dúvidas e não de contestações. Ou seja, o consumidor busca sanar uma dúvida que é classificada, equivocadamente, como reclamação.

Outro aspecto é que, por fundamento estatístico, o levantamento não tem representatividade relevante para análise sobre atendimentos no segmento, pois a amostra não é aleatória – contém queixas apenas de associados do Instituto.

Por outro lado, o Boletim do Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec) de 2017 – da Secretaria Nacional do Consumidor, ligado ao Ministério da Justiça, e que reúne os Procons de todo o país – classifica o segmento de planos de saúde na 17ª posição entre os assuntos mais demandados, com 29.376 reclamações de um total de quase 2,3 milhões de queixas, o que representa apenas 1,33% dos registros.

Já a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) – órgão regulador do setor – registrou apenas 90.342 reclamações no ano passado relacionadas às operadoras de planos de saúde, em um universo de 47 milhões de beneficiários de assistência médico-hospitalar – o equivalente apenas a 0,19%.

A análise desses indicadores divulgados por órgãos oficiais, portanto, contradiz as conclusões apresentados em pesquisa do Idec. Diante deste quadro público de informações e a clara falta de critérios de isenção estatística dessa pesquisa do Instituto, esse indicador não pode servir de parâmetro real e fidedigno para configurar um ranqueamento de queixas dos brasileiros e, muito menos, indicar o segmento de planos de saúde como campeão de reclamações.

Por fim, as associadas à FenaSaúde buscam sanar dúvidas e demandas de seus beneficiários por meio dos seus canais de relacionamento, como as Ouvidorias e os Serviços de Atendimento ao Consumidor.

*Permitida a reprodução desse material, desde que citada a fonte
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