Polêmico projeto de extração de carvão na Austrália gera mobilização da sociedade

27 de Dezembro de 2018

Polêmico projeto de extração de carvão na Austrália gera mobilização da sociedade

Graves riscos ambientais, sociais e de governança também dificultam a captação de recursos para a exploração da mina

Segmentos da sociedade australiana e ambientalistas do mundo todo vêm se mobilizando contra um controverso projeto de extração de carvão mineral na Austrália, trazendo à tona um grande debate ético, com desdobramentos que colocam o setor de seguros sob o holofote.

A polêmica teve início quando o conglomerado indiano Adani anunciou a intenção de operar a mina Carmichael, que fica no norte da costa leste da Austrália e tem potencial para produzir 27 milhões de toneladas de carvão mineral por ano, o que geraria, em todo o ciclo de vida da mina, o equivalente a cerca de 8 anos de emissão de gases de efeito estufa de toda a Austrália.

Além disso, o complexo industrial oriundo do projeto poderia afetar a Grande Barreira de Corais australiana, que é patrimônio mundial da humanidade e está localizada próxima da mina, como também estão os povos indígenas Wangan e Jagalingou, que já questionam juridicamente sua legalidade. E contribuindo ainda mais para a polêmica, o grupo Adani também é acusado de suborno, corrupção, abuso dos direitos humanos, exploração dos trabalhadores e evasão fiscal.

As inúmeras questões ambientais, sociais e de governança (ASG) inerentes ao projeto criaram uma pressão tal da sociedade australiana que fez com que nenhuma instituição financeira prospectada aceitasse financiar o projeto, incluindo todos grandes bancos australianos e alguns bancos públicos chineses. Para superar o impasse, os indianos anunciaram que pretendem se autofinanciar, colocando, então, a pressão sobre o setor segurador, uma vez que o projeto precisa de coberturas de seguros para sair do papel.

Consultadas, dez seguradoras já se comprometeram a não disponibilizar seguro para a mina de Carmichael. Outras 17, no entanto, ainda não se pronunciaram, o que suscitou a redação de uma carta pública chamando as companhias a também não participarem do empreendimento. A carta, disponível apenas em inglês, é assinada por 70 instituições, e pode ser lida clicando aqui.

Fonte: TheActuary 

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