Vulcões ameaçam grandes cidades no mundo

19 de Abril de 2017

Vulcões ameaçam grandes cidades no mundo

Modelagem de risco de resseguradora busca demarcar áreas e problemas potenciais de erupções vulcânicas

Pode parecer filme, mas o risco de uma erupção vulcânica atingir algumas das áreas urbanas mais densamente povoadas no mundo existe e há gaps nas coberturas para protegê-las. Eis a conclusão de um modelo global criado pela Swiss RE para avaliar riscos em mais de 500 vulcões ativos no planeta.

Na avaliação do ressegurador, uma em cada sete das maiores áreas urbanas do mundo, que abrange mais de 1 bilhão de pessoas, localiza-se dentro de um raio de 150 quilômetros de um vulcão ativo, colocando algumas das maiores cidades sob risco de perdas econômicas de até US$ 30 bilhões. Tóquio, Nápoles, Manila, Manágua e Jacarta são algumas das 10 cidades expostas a riscos extremos. "Olhamos para o passado olhando para a história da erupção desses vulcões ativos e daqueles que derivam futuros cenários de erupção",

O estudo avaliou o passado de erupção dos vulcões ativos para criar cenários futuros, focando nos danos possíveis à propriedade, já que apenas pessoas podem ser evacuadas, mas não a construção ou os negócios. As empresas não estão apenas expostas a danos à propriedade, mas também à interrupção de negócios, dizem especialistas. Mesmo se o negócio estiver completamente intacto, há a necessidade de evacuar seus trabalhadores e paralisar a atividade.

Outros estudos ratificam diversos transtornos provocados pelas erupções vulcânicas- lava lama, fluxos piroclásticos, nuvens brilhantes, emissão de cinzas e seu depósito- capazes de gerar, por exemplo, interrupção do transporte aéreo e/ou rodoviário, danos à colheita, entre outros problemas.

Em 2010, as erupções do vulcão Eyjafjallajökull criaram nuvens de cinzas que afetaram duramente as viagens aéreas no oeste e norte da Europa durante seis dias. Naquele período, mais de 100 mil voos foram cancelados. Antes, por volta de1991, o Monte Pinatubo, nas Filipinas, gerou uma coluna de cinzas de mais de 40 quilômetros, produziu avalanches de cinzas quentes, gás e lama. Esta erupção matou 875 pessoas, deixou 250 mil desabrigados, afetando a economia da região durante muitos anos.

Nos Estados Unidos, a maioria das apólices de seguro de propriedade cobre os riscos de erupções vulcânicas (danos causados por cinzas, poeira, fluxo de lava, fogo, explosão e ondas de choque), além de autorizar endosso para a cobertura de interrupção de negócios. Mas há gap para os perigos secundários das erupções, como ocorrência de terremoto, deslizamentos de terra e lama, por exemplo. Estas garantias são adquiridas de forma facultativa.

Os gaps nos programas de seguro envolvendo os riscos secundários precisam ser corrigidos, porque as empresas estão propensas a ser afetadas por tais perigos.

O Iwo Jima é o vulcão mais perigoso do mundo, tendo em vista que uma grande erupção causaria uma tsunami capaz de devastar o sul do Japão e a China costeira. O segundo é o Apoyeque, próximo da capital de Manágua (Nicarágua), com uma população de mais de dois milhões. O Campi Flegrei, na Itália, representa uma ameaça ainda maior do que o Vesúvio, também na Itália, porque está mais próximo de Nápoles e tem potencial para erupções muito maiores.

Em todo o mundo, há um número cada vez maior de pessoas em risco de atividade vulcânica, porque mais casas estão sendo construídas mais perto de vulcões. Por sorte, os vulcões dão sinais de agitação antes de entrarem em erupção, o que permite salvar muitas vidas.

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