A importância das avaliações de risco de crédito nas operações das seguradoras

20 de Setembro de 2017

A importância das avaliações de risco de crédito nas operações das seguradoras

Especialistas debatem o tema durante o 5º Encontro Nacional de Atuários

A importância das avaliações de risco de crédito nas operações das seguradoras foi o tema debatido no painel Avaliação de Risco de Crédito, do 5º Encontro Nacional de Atuários, ocorrido em 19 de setembro, paralelamente à 8ª CONSEGURO, no Rio de Janeiro . De acordo com o moderador e superintendente atuarial da Mitsui Sumitomo, Gustavo Genovez, essa importância da avaliação se dá tanto para identificar oportunidade de diversificação e melhoria do retorno sobre o capital investido, quanto sob a ótica atuarial, no que se refere à modelagem desse processo de avaliação e também em relação à gestão de risco relativo aos processos de governança.

O painel foi aberto pelo head de análise de crédito da MSCI para a América Latina, Conrad Albrecht, que defendeu que as empresas não façam análise apenas de um ativo isolado, mas sim de uma carteira diversificada, avaliando, inclusive, a correlação entre os ativos. Ele explicou que, à medida em que a carteira cresce e se diversifica, é difícil executar uma análise assertiva sem o auxílio de um sistema como o oferecido pela MSCI e outros vendors.

"É importante a parte inicial de análise da empresas isoladamente. Mas, à medida em que a empresa vai crescendo a carteira e abrindo a exposição em diferentes mercados e diferentes senioridades, a análise de portifólio é mais indicada. É possível capturar o risco e a correlação entre os ativos, a relação entre as volatilidades e os retornos, o risco inerente, os movilmentos correlacionados e as perdas esperadas com a visão holística do portfólio", argumenta Albrecht.

A MSCI tem sede nos EUA e operação na América Latina, com escritórios em São Paulo e em Monterrey, no México. Hoje, a base instalada da empresa é de mais de 50 clientes no Brasil e na América Latina para as linhas de negócios de índices e analytics: soluções de risco e portifolio management.

Marcelo Otávio Wagner, supertintendente de planejamento de investimentos da BrasilPrev, informou que a empresa faz, além da análise tradicional, também análise de portifólio e testes de estresse, que permitem testar qual o efeito haveria na companhia se um efeito de crédito crítico ocorresse.

Ele observou que, hoje, a maior parte da carteira de ativos das seguradoras é baseada em títulos públicos federais. Com a queda da taxa de juros e a redução da atratividade desses títulos, as empresas têm a oportunidade de diversificar essas carteiras dentro dos limites regulatórios. Wagner comparou o cenário atual do Brasil com o vivido pelo Chile, nos anos 1990, e pelo México, na década passada, com queda na taxa de juros e oportunidade de diversificação de portfpolio, em que a renda fixa é o caminho natural. Ele observou quem dominar estas técnicas de análise de portfólio, especialmente simulações, tende a ter um diferencial competitivo e retornos melhores.

"O fato de as seguradoras terem livros com um componente anticíclico abre uma excelente oportunidade. E quem estiver preparado para as análises de portifólio mais complexas terá uma chance de ouro, na medida em que temos um mercado carente de crétido e em que as taxas de juros e as condições estão chegando a níveis adequados", sinalizou Wagner, ao fechar sua apresentação.

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