Apesar da crise política, investidores mantêm interesse pelo Brasil

20 de Setembro de 2017

Apesar da crise política, investidores mantêm interesse pelo Brasil

8ª CONSEGURO debate as perspectivas do Brasil no mundo

O posicionamento do Brasil perante o investidor estrangeiro foi tema da palestra “Brasil: uma perspectiva Global”, no primeiro dia da 8ª CONSEGURO. “O apetite pelo Brasil é muito grande”, disse Christopher Garman, diretor do Eurasia Group, consultoria que avalia riscos políticos para investidores.

Há abundância de capital no mundo. Muitos apostaram que boa parte desses recursos iriam ser direcionados para o crescimento americano. “O fracasso de Donald Trump ajudou o Brasil”, comentou. É certo que o crescimento mundial virá de países como o Brasil, mas é importante que as reformas transformadoras aconteçam. Ele pontua que as micro reformas são tão importantes como as grandes reformas para atrair o capital externo.

Para o analista, o atual governo conseguiu avanços com a reforma trabalhista, tem na agenda as microrreformas e conseguiu uma abertura do pré-sal para rodadas de petróleo e gás. Mas o ponto chave, no entanto, é sobre 2018: quem vai encaminhar essa agenda ambiciosa de reformas?

Para ele, o grande obstáculo para a agenda econômica no Brasil é a ausência de um candidato competitivo pró-reformas em 2018 e que, ao mesmo tempo, se descole do quadro político de corrupção. Segundo os analistas, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), é a Hillary Clinton do Brasil. Ela perdeu as eleições americanas no ano passado por ter sido identificada pelo eleitor como parte do establishment, ou seja, apoiada pelo governo, de quem o eleitor estava “com raiva”. “Essa raiva elegeu Donald Trump e a aprovação do Brexit”, afirma.

Segundo a Eurasia, esse sentimento de raiva da classe média, que chegou a apreciar um vida mais confortável, com planos de saúde, casa própria, carro zero e educacão privada, mas que perdeu boa parte em função da má gestão pública, pode complicar muito a situação, não só do Brasil, mas como de vários países latinos que realizam eleições presidenciais em 2018. A questão que está no ar é: qual candidato vai surfar essa raiva?

A pesquisa da Eurasia mostrou que a única coisa que une os candidatos é o elevado nível de rejeição: Lula - 66% Alckimin - 73%, Marina Silva - 65%, Henrique Meirelles - 62%. “O antiestablishment será intenso nas eleições de 2018”, aposta o especialista. Ele mostrou um recente estudo que revela que a candidatura do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva não ameaça o mercado. “Mesmo que ele vença os obstáculos e concorra, no segundo turno possivelmente ele pode ser derrotado, caso haja um candidato que atenda aos anseios da população, que levantar uma bandeira antipolítico e, ao mesmo tempo, promova as reformas necessárias e que são impopulares”, disse.

Apesar de toda essa crise política, as empresas seguem em seus propósitos. “Conseguimos fazer um IPO de sucesso no final de agosto mesmo diante de uma crise como essa que se arrasta no Brasil desde 2014”, comentou José Cardoso, presidente do IRB Brasil Re.

Segundo ele, o processo de transformação apoiado em três pilares – gestão de pessoas, gestão operacional e gestão financeira – fez o IRB sair do monopólio de quase 70 anos, mantido até 2007, para figurar entre os principais resseguradores do mundo, ocupando a nona colocação em valor de mercado, com US$ 3,1 bilhões em setembro deste ano, quando passou a ser negociado na B3, no mais elevado padrão de governança.

O IRB, assim como outros resseguradores locais, ainda tem o privilegio da reserva de mercado, que vem sendo reduzida ao longo dos anos. Cardoso afirmou durante o debate que o ressegurador é favorável à desregulamentação do setor de resseguros brasileiro, apesar de ainda existir reserva de mercado para agentes locais, que começou a reduzir de forma gradual. "Estamos preparados para competir com quaisquer outros players".

O IRB apresentou ROAE de 25,5% nos últimos dois anos, o que, segundo ele, torna a empresa a mais rentável do mundo. E isso foi conquistado com disciplina na política de subscrição, demostrada pelo índice combinado de 92,2% em 2016 e de 86% no primeiro semestre de 2017.

O ressegurador tem um portfolio de investimento superior a R$ 6 bilhões. Bem administrado, gerou ganhos diferenciados, como 125% do CDI nos últimos dois anos e 132% no primeiro semestre de 2017. “Fruto do investimento que fazemos em nossa equipe e da diversificação de mercado e de linhas de negócios. Hoje 32% do nossos prêmios vem do exterior”, afirmou, acrescentando que mesmo com crise é primordial que as empresas sigam em seus propósitos. “Estamos trabalhando muito para ofertar à sociedade produtos inovadores e que realmente atendam as necessidades desta nova economia digital”.

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