Auditor deve agregar valor para a empresa

21 de Setembro de 2017

Auditor deve agregar valor para a empresa

É essencial ter uma “visão generalista” da empresa, sugerir ações para que determinadas medidas do gestor não provoquem dificuldades em outras áreas da corporação

O auditor moderno deve agregar valor para a empresa. A frase foi repetida quase como um mantra pelos participantes do painel “Auditoria interna e sua Importância na Avaliação do Sistema de Controles Internos”, no 11º Seminário de Controles internos & Compliance, que acontece em paralelo à 8ª CONSEGURO. “Não existe mais aquele auditor que chegava nas empresas chutando portas e pedindo cabeças. Atualmente, a auditoria é tão importante quanto andar e respirar. Se não tiver, a empresa não sobrevive”, sintetizou o debatedor Eugênio Duque Estrada, gerente de Auditoria Interna da Mongeral Aegon.

Segundo ele, a auditoria evoluiu a tal ponto que, hoje, os regulamentos exigem uma formação na qual ter conhecimento amplo é essencial para apresentar um trabalho que agregue valor para a empresa. “É preciso conhecer um pouco de tudo, seja da área comercial, de marketing ou atuária”, observou.

Duque Estrada advertiu ainda que não há mais espaço para quem pretende atuar essencialmente como um auditor corretivo. “Esse profissional não sobrevive mais, exatamente porque não agrega valor”, decretou.

O painel teve como palestrante o sócio da LR Consultoria e presidente da Comissão de Controles Internos da CNseg, Assízio Oliveira, apontado como um dos mais experientes profissionais do segmento. Na sua apresentação, ele também destacou a importância de uma participação mais efetiva do auditor no planejamento estratégico de uma corporação. “Antes de sermos auditores, somos consultores. Aliás, o significado semântico da palavra auditoria é a mesma de audiência ou audição. A essência é ouvir. É essencial, portanto, olhar a definição da atividade de uma maneira diferente. Verificar se o nosso trabalho agrega valor para a empresa”, salientou.

Nesse contexto, ele frisou que o auditor deve ser responsável pelo monitoramento periódico e sistemático do controle interno. Mas, também precisa apresentar sugestões para a melhoria desses controles, indicando eventuais desvios visando sua correção.

Assim, Oliveira entende que o auditor precisa necessariamente ter uma “visão generalista” da empresa, sugerir ações para que determinadas medidas do gestor não provoquem dificuldades em outras áreas da corporação. “Isso não tira a independência do auditor. É um velho ranço pensar dessa forma. Na verdade, agindo assim, o auditor agrega valor sob o ponto de vista do controle interno”, afirmou. Na visão de Assízio Oliveira, para evitar que prevaleça uma opinião atrasada sobre a sua atividade profissional, o auditor deve ser “mais flexível”, opinando sempre que necessário e de acordo com o seu conhecimento sobre como cada processo deve ser desenhado e implementado.

Ele lembrou que cada componente do controle interno está definido em regulamentos. Como o conjunto desses elementos forma o sistema de controles internos e o auditor é o responsável pela avaliação, é indispensável avaliar cada elemento periódica e sistematicamente. “o auditor deve ter como foco ajudar a empresa a atingir suas metas de planejamento estratégico. E é importante ajudar até na comunicação, pois não basta ter objetivos bem definidos e um belo sistema para acompanhar, se não for eficiente a comunicação desses aspectos a cada um dos envolvidos”, alertou.

Já o moderador do painel, Washington Luis da Silva, diretor Jurídico e de Compliance da Zurich Seguros, comentou que as melhores empresas, em geral, são as que têm controles internos adequados. “Não pode ficar sem controle algum nem adotar controles que engessam a empresa”, assinalou.

Ele acrescentou ainda que há muitos exemplos de empresas muito fortes que não resistiram á falta ou ao excesso de controle e “não valem nada hoje”.

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