Blockchain: ameaça ou oportunidade no mercado de seguros?

21 de Setembro de 2017

Blockchain: ameaça ou oportunidade no mercado de seguros?

Especialistas debatem os impactos da tecnologia no setor durante o 11º Insurance Service Meeting

O Blockchain já é considerada por muitos uma revolução silenciosa, mas só o tempo vai dizer se essa tenologia será avassalora ou não para a economia digital. O presente e o futuro desta ferramenta e o impacto que ela pode causar no mercado de seguros foram debatidos na palestra sobre Blockchain, realizada no 11º Insurance Service Meeting, paralelamente à 8ª CONSEGURO, com a participação de Mario Robredo, gerente sênior de Inovação e Novos Negócios Banking da Indra; Paulo Kurpan, superintendente executivo de Negócios da CNseg; e Marcio Alexandre Malfatti, sócio da Pimentel e Associados Advogados. A moderação foi feita por Fabio Leme, vice-presidente Técnico da HDI Seguros.

Blockchain (na tradução livre “cadeia de blocos”) são bases de registros e dados distribuídos e compartilhados, que têm a função de criar um índice global para todas as transações que ocorrem em um determinado mercado. Funciona como o livro-razão da contabilidade, só que de forma pública, compartilhada e universal, com base no consenso e confiança entre as pessoas, sobre todas as informações, saldos e transações.

A tecnologia possibilita as movimentações feitas com moedas digitais (Bitcoins ou criptomoedas), ao validar as transações financeiras. Trata-se de uma ferramenta que faz com que as trocas monetárias sejam descentralizadas, transparentes e disponíveis para a conferência pública, diminuindo os riscos de fraudes e sem a necessidade de um banco central para a análise dos dados.

Mas o que isso pode significar para os setores da economia, incluindo o de seguros? Mudanças drásticas nas relações comercais e sociais. Mario Robredo explicou: "O Blockchain permite aprimorar serviços e produtos no mercado de seguros, aperfeiçoando o relacionamento entre empresas e clientes e oferecendo mais rapidez e agilidade nos processos. Por esse motivo, pode gerar uma redução de custos e também dos riscos que envolvem a operação de seguros".

Segundo Mario, o blockchain tem potencial disruptivo, pois é capaz de combinar diversas tecnologias. "Pode ser utilizado pelo celular, é composto por moedas digitais e está associada à tecnologia bancária. É a peça que faltava na economia digital", opinou.

A aplicação do blockchain no mercado de seguros pode ser feita nos processos de sinistros – do aviso ao pagamento; ou para a análise do seguro e dos riscos que envolvem a admissão da apólice. Sobre a inserção dessa tecnologia no dia a dia das seguradoras, Paulo Kurpan afirma que não vê isso acontecendo a curto prazo.

"Estamos vivendo um momento de transição, no universo das possibilidades. O blockchain traz ameaças e oportunidades para o mercado de seguros. O bom é que o nosso setor está em linha com o que está acontecendo no mundo. A CNseg está atenta às iovações que têm surgido e já pomovemos ações específicas junto a startups", ressaltou Kurpan.

Para Marcio Alexandre Malfatti, o Blockchain pode funcionar de maneira efetiva em contratos cujas interpretações sejam simples. "Para tudo que tiver apenas duas possibilidades de respostas, 'sim' ou 'não', essa tecnologia funciona maravilhosamente bem, pois as regras de contrato nesse sistema são explícitas. O problema é quando há o 'se não ou o 'se sim', ou seja, situações em que existem interpretações complexas, o que gera a necessidade de uma assistência jurídica e regulatória para auxiliar empresas e consumidores. Neste caso, só a tencnologia não basta".

Malfatti não tem dúvidas sobre o impacto que o Blockchian pode causar na área jurídica das seguradoras. "Quem reclama da rapidez de liminares no segmento de saúde, o faz por ainda não conhecer o potencial do Blockchain", disse, arrancando risos da plateia.

O impacto das novas tecnologias no mercado de trabalho também foi abordado pelos participantes . Na avaliação de Robredo, as inovação ameaçam somente profissionais com baixa qualificação. "Há uma ideia unânime de que as inovações digitais acabam com os empregos. Ela extingue alguns e, ao mesmo tempo, criam muitos outros". Malfatti discordou: "O Blockchain poderá eliminar o trabalho de muitas pessoas qualificadas".

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