Os desafios de mensurar a expectativa de vida da população

21 de Setembro de 2017

Os desafios de mensurar a expectativa de vida da população

Professora da UFRJ apresenta estudo de improvement sobre a tábua de mortalidade brasileira no 5º Encontro Nacional de Atuários

A apresentação de um estudo de improvement sobre a tábua de mortalidade brasileira, os desafios de mensurar a expectativa de vida da população segurada para as próximas décadas, tendo em vista a falta de séries históricas longas, e as alternativas para reduzir as incertezas dos cálculos necessários para composição das reservas técnicas exigidas pelos planos de benefícios, como o de Vida, foram alguns dos destaques do painel que reuniu a professora da UFRJ, Thais Fonseca, o diretor presidente da Zurich Santander, Alfredo Lalia Neto, e o superintendente técnico da Mongeral Aegon, Nelson Emiliano, em um dos painéis do 5º Encontro Nacional de Atuários (ENA), que acontece paralelamente à 8ª CONSEGURO.

A professora detalhou os principais pontos do estudo de improvement realizado pela UFRJ, o Modelo gravitacional Bayesiano para a previsão de mortalidade em séries curtas. O estudo, encomendado pela FenaPrevi, ainda está em fase de desenvolvimento, e a perspectiva é que esteja concluído em 2018, servindo de orientação para os atuários. O modelo planeja responder algumas questões estratégicas para o cálculo de prêmios e da formação de reservas técnicas adequadas, dependendo da vigência dos planos. Que fatores poderiam ser usados para aumentar o poder preditivo dos modelos que buscam explicar a mortalidade ao longo do tempo? Pode-se assumir hipóteses de não divergência para gêneros feminino e masculino? A diminuição da mortalidade ocorre na mesma velocidade em todas as faixas etárias? E com que velocidade a mortalidade diminui no Brasil?

A partir do uso do modelo Lee-Carter estendido, ficou claro que há problemas de dados limitados. "Uma quantidade de dados históricos consistente permite previsões mais confiáveis em tempos futuros", lembrou a professora, referindo-se ao cálculo de expectativa de vida em 2060, por exemplo. No caso brasileiro, como a série histórica é de 2000, envolvendo apenas os segurados, é necessário recorrer a dados de Portugal ou dos Estados Unidos, que são os mais similares para ser incluídos ao modelo em teste pela UFRJ.

Ela explica que, embora os indicadores de qualidade de vida sejam bastante diferentes entre EUA/Portugal e Brasil, o nicho de segurados tem acesso a serviços que se equivalem aos países mais desenvolvidos, em razão da renda, escolaridade e acesso à saúde, podendo, então, recorrer às séries de outros países para estabelecer a provável expectativa de vida nas próximas décadas. "O mercado segurador brasileiro possui séries de apenas uma década. Ou seja, é uma série temporal é pequena, objeto de ruído e mudanças de regime ao longo do tempo. Então dados auxiliares de um país com histórico longo e consistente poderiam ser usados juntamente com os dados do mercado segurador brasileiro", afirmou a professora.

Este modelo conjunto permite produzir previsões mais realistas para séries muito limitadas do que aquelas projeções obtidas com os modelos mais usuais, assegurou.

O cálculo da taxa de improvement já é usado por algumas seguradoras, mas é esperada para breve uma regulamentação que a tornará obrigatória, tendo em vista a perspectiva de lançamento de novos produtos de perfil de mais longo prazo no mercado brasileiro.

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