2º Encontro de Comunicação da Saúde Suplementar debate os fatores que levam ao reajuste dos planos

19 de Abril de 2018

2º Encontro de Comunicação da Saúde Suplementar debate os fatores que levam ao reajuste dos planos

O evento reuniu profissionais de comunicação, diretores das empresas associadas à FenaSaúde e jornalistas especializados

2º Encontro de Comunicação da Saúde Suplementar debate os fatores que levam ao reajuste dos planos

A questão do reajuste dos planos de saúde e a dificuldade em transmitir à sociedade os reais fatores que determinam os índices de aumento foram o foco das discussões no “2º Encontro de Comunicação da Saúde Suplementar”, realizado pela Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), na última quarta-feira (18/4), em São Paulo.

Com uma plateia formada por profissionais de comunicação, diretores das empresas associadas à FenaSaúde e jornalistas especializados e renomados, o encontro teve como finalidade dar mais transparência às discussões em torno do reajuste, calculado a partir da variação dos custos médicos e hospitalares. O índice é divulgado anualmente, geralmente no mês de maio, pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Na abertura do evento, o presidente da Comissão de Comunicação da FenaSaúde, João Alceu Amoroso Lima, reconheceu que o tema do reajuste dos planos é “ácido”, porque o índice normalmente atinge a casa dos dois dígitos, enquanto a inflação oficial da economia fica bem abaixo disso – próximo a 3% atualmente. De acordo com ele, esse gap não acontece só no Brasil, mas em todos os países. Por isso, afirmou, a sociedade “cobra uma satisfação”, e o objetivo do Encontro era esclarecer e debater com os jornalistas o entendimento sobre o assunto.

O presidente substituto da ANS, Leandro Fonseca, disse que a Saúde Suplementar é um setor fundamental para a economia do país. O grande desafio da saúde, segundo ele, é o financiamento dos produtos, sejam públicos ou privados. Fonseca lembrou que o índice de reajuste dos planos está em dois dígitos há muitos anos e que é preciso ampliar o debate sobre como tornar o acesso à saúde sustentável e adequado, arrefecendo os custos do setor.

Em sua palestra, o diretor-executivo da FenaSaúde, José Cechin, explicou que a inflação oficial da economia resulta da variação de preços de uma cesta de produtos definida pelo IBGE, para diferentes cestas de bens e serviços, ao passo que no reajuste dos planos de saúde levam-se em conta tanto os aumentos dos custos médico-hospitalares quanto a frequência dos procedimentos, isto é, a quantidade por beneficiário, tais como exames, consultas e internações. Entre os custos médico-hospitalares figuram novas tecnologias, a ampliação do rol mínimo obrigatório de procedimentos e os materiais especiais. Outro fator que pressiona os custos do setor são as demandas por liminares judiciais. Para Cechin, o modelo perfeito de reajuste, se existisse e fosse encontrado, continuaria produzindo índices altos de  reajuste se não se alterarem os propulsores de despesas.

Por sua vez, o superintendente executivo do Instituto de Estudos da Saúde Suplementar (IESS), Luiz Augusto Carneiro, apresentou uma pesquisa inédita sobre a variação dos custos médico-hospitalares (VCMH) no Brasil e no mundo. Segundo o estudo, que analisou os dados de três das principais consultorias que apuram o comportamento do setor (Aon Hewitt, Mercer e Willis Towers Watson), no Brasil a VCMH é, em média, 3,4 vezes a inflação geral, o que não representa uma anormalidade, já que outros países têm média superior a isso, como Canadá, China e EUA. A maior variação no Brasil, de acordo com ele, está vindo das despesas com internação médica. “Metade das despesas se deve a internações”, disse.

Já o gerente geral de Regulação da Estrutura dos Produtos da ANS, Rafael Vinhas, disse que a agência tem a preocupação de melhorar a metodologia de aferição dos custos. “A discussão sobre o financiamento do setor é extremamente relevante e deve ser feita desde já.”

A seguir, o jornalista Ascânio Seleme, colunista de O Globo, destacou a importância de uma comunicação clara e objetiva com a imprensa por parte das empresas. “O jornalista quer transparência”, disse.

A última palestra foi da jornalista Mara Luquet, do site My News, que comentou uma entrevista feita com a executiva Carolina Mazza, da Mercer. Carolina apontou que no mundo inteiro empresas globais estão montando seus próprios planos para gerir o custo da saúde de seus funcionários. Segundo Mara, os jornais deveriam, em vez de simplesmente noticiar o reajuste dos planos, explicar melhor os riscos reais à solvência das empresas e de que forma os beneficiários devem lidar com sua operadora para obter mais informações.

Entre as palestras, o público, dividido em mesas-redondas de debates, discutiu os temas e apresentou suas opiniões e sugestões. Também no Encontro, Fernando Pesciota, diretor da CDN Comunicação, analisou a cobertura do reajuste dos planos feita nos dois últimos anos pela grande imprensa.

Ao final, o superintendente de Regulação da FenaSaúde, Sandro Leal, fez um resumo dos debates e disse que iria compilar as discussões. Ele agradeceu a presença de todos e os convidou a participarem do 4º Fórum de Saúde Suplementar, que acontecerá nos dias 22 e 23 de outubro, no Rio de Janeiro.

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