Zika: desconhecimento sobre vírus dificulta combate

11 de Fevereiro de 2016

Zika: desconhecimento sobre vírus dificulta combate

Organização Mundial de Saúde pede mobilização internacional rápida para o combate à epidemia global

O surto de Zika Vírus – e sua provável ligação com casos de microcefalia (condição neurológica que prejudica o desenvolvimento mental) – tornou-se emergência internacional de saúde pública, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). A decisão conclama a comunidade internacional a agir, de forma integrada e rápida, para o combate à doença. A OMS não descarta o risco de epidemia global.

A adoção do estado de emergência sanitária incentiva o desenvolvimento de pesquisas sobre a potencial relação entre o Zika Vírus e os casos de microcefalia, assim como outras condições neurológicas. Setores acadêmico e farmacêutico estão mobilizados em prol da produção de diagnósticos mais precisos e testes de vacinas contra a doença. A falta de conhecimento sobre o Zika Vírus, entretanto, dificulta a busca por soluções a curto prazo.

O Zika é mais desconhecido que o Vírus Ebola – doença que também deflagrou estado de emergência global pela OMS, em 2014. Só há 30 menções ao Zika em pedidos de patentes, contra 1.043 para o Ebola e 2.551 para a Dengue, de acordo com o Índice Mundial de Patentes Thomson Reuters Derwent. A falta de informação sobre o Zika também se constata no número de estudos publicados – 108 sobre Zika, desde 2001, contra mais de 4 mil a respeito do Ebola.

Enquanto não há uma vacina para o combate, cogita-se que o Zika tenha uma nova forma de transmissão, além do contágio já conhecido pelo mosquito Aedes aegypti. Atualmente, existem três casos suspeitos de infecção por relação sexual – dois nos Estados Unidos e um na Polinésia Francesa –, em fase de análise.

Brasil ocupa primeira posição em ranking mundial de casos

O crescimento do número de casos de microcefalia e outras complicações neurológicas associadas ao Zika – como a doença Guillain-Barré – no Brasil e na Polinésia Francesa chamaram a atenção da OMS, que constatou potencial de o vírus se propagar para outras partes do mundo.

A doença já é uma realidade no continente americano – 24 países da região já registraram casos. Brasil e Colômbia lideram ranking mundial de incidência. Europa e EUA confirmaram casos de pessoas que foram infectadas em viagens ao exterior. A OMS demonstra preocupação por conta da ausência de imunidade das populações afetadas e pela falta de vacina para o combate ao Zika Vírus.

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