Presidente da FenSeg avalia o setor em 2018 e os desafios e expectativas para 2019

12 de Dezembro de 2018

Presidente da FenSeg avalia o setor em 2018 e os desafios e expectativas para 2019

Confira a entrevista com João Francisco Borges da Costa

Confira entrevista com  João Francisco Borges da Costa, presidente da FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais) sobre sua avaliação do setor para o ano de 2018, seus desafios e as expectativas para 2019.

1 - Como foi 2018 para o setor de seguros, considerando-se que este foi um ano eleitoral e de economia em ritmo lento de retomada?

O ano foi positivo, com avanços que merecem ser destacados. De modo geral, o segmento de seguros gerais apresentou trajetória de crescimento sustentado, demonstrando mais uma vez que se mantém sólido diante dos problemas econômicos enfrentados pelo País. A maior carteira dos seguros gerais, Automóvel, recuperou o fôlego e teve crescimento de 6,6% no acumulado de janeiro a setembro deste ano. Esse desempenho foi fortemente influenciado pela retomada da indústria no que diz respeito à produção e à venda de veículos. O seguro residencial também apresentou forte expansão no período, de 15,7%.

O setor de seguros costuma se expandir na esteira do crescimento econômico do país. Embora não seja possível traçar um prognóstico definitivo, todos os indicadores nos levam a um cenário de expansão moderada do PIB nos próximos anos, o que certamente impactará na atividade de seguros gerais. Seja pelo aumento do volume de mercadorias produzidas e que circulam no país – o que impacta na contratação dos seguros de transportes –, seja pelo crescimento das vendas na indústria automobilística, que será maior neste ano, puxado pelo consumo das famílias.

Esse cenário ajuda o consumidor trocar de carro, pois os juros ficarão mais baixos e o crédito estará acessível, o que impulsiona o seguro dos automóveis, de todos os tipos.

2 – Quais foram os principais desafios e realizações registrados neste ano?

O combate à venda irregular de seguros por parte das associações de proteção veicular foi tema prioritário na agenda da FenSeg em 2018, devido ao forte impacto que pode causar ao mercado. Em parceria com a CNseg e a Susep, a Federação atuou de forma efetiva no combate ao exercício irregular da atividade seguradora. Cabe destacar ainda o apoio da FenSeg à aprovação do PLP 519/2018, de autoria do deputado federal Lucas Vergilio (SD-GO), que tem por finalidade regularizar as atividades destas associações.

Outro assunto que também ganhou espaço na agenda do setor foi o seguro de Garantia de Obrigações Contratuais, em função da nova Lei de Licitações de Obras Públicas, que se encontra em discussão no Congresso Nacional. O combate à fraude no seguro também mereceu atenção especial da FenSeg, devido ao agravamento da situação de roubo e furto de veículos, assim como de mercadorias em geral.

Outras frentes de atuação da entidade:

a - Seguro de Auto Popular

A FenSeg contribuiu ativamente nas discussões, visando à regulamentação do seguro de auto popular através da Resolução CNSP 354, principalmente nos aspectos referentes a:  

Outros temas que mereceram atenção especial da FenSeg:

  • Idade mínima dos veículos
  • Possibilidade de utilização de oficinas da rede credenciada do produto.
  • Utilização de peças usadas (certificadas) oriundas de desmontagem de veículos, a partir de critérios estabelecidos em harmonia com o mercado.
  • Participação das discussões sobre a regulamentação do DPVA
  • Criação da Comissão Estratégica de Seguros Corporativos.

3. Que cenário a FenSeg traça para o setor segurador em 2019?

O Brasil caminha para uma retomada gradual do desenvolvimento, com perspectivas de queda de juros, aumento do volume de investimentos, dos índices de empregabilidade e do consumo das famílias. Isso deve trazer aquecimento a diversos setores da economia, que vão demandar mais a contratação de seguros. Com a retomada dos investimentos no setor de infraestrutura, as demandas por garantias de performance devem voltar a acontecer. Em 2017, essa carteira registrou crescimento de 26% graças ao desempenho do seguro de Garantia Judicial. Este ano, o crescimento deve continuar na casa de dois dígitos. Isso sem falar nos seguros Habitacional, Crédito e Rural, que também mostram resultados expressivos.

Os cronogramas de obras de infraestrutura também pesarão positivamente. Se o próximo Governo retomar as obras interrompidas, terá reflexo nas garantias das obrigações contratuais. O crescimento do seguro garantia, aliás, não foi sustentado por obras do Governo, mas por substituir depósitos judiciais, o que se expandiu bastante. Essa carteira deve registrar uma demanda extra na área judicial, por ocasião da substituição dos depósitos nas disputas trabalhistas dentro da nova legislação.

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