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A necessidade de se acelerar as políticas de inclusão por gênero, raça e orientação sexual no mercado segurador

Debates ocorreram durante a 1ª Conferência de Sustentabilidade e Diversidade, que acontece em paralelo à 9ª CONSEGURO

04 de Setembro de 2019 - CNseg

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Da esquerda para a direita: o subscritor sênior da AIG Seguros, Vinicius Mercado; a vice-presidente de Capital Humano, Administrativo e Sustentabilidade da SulAmérica Seguros, Patrícia Coimbra; a diretora-presidente da Caixa Seguradora, Gabriela Ortiz; a consultora de Inclusão Financeira e apresentadora do Podcast Finance Feminist, Alice Merry; a diretora Jurídica da Care Plus, Ana Paula de Almeida Santos; e a diretora de Ensino Técnico da Escola Nacional de Seguros, Maria Helena Monteiro

 

A 1ª Conferência de Sustentabilidade e Diversidade, ocorrida paralelamente à CONSEGURO 2019, deixou um recado claro: é preciso acelerar as políticas de inclusão por gênero, raça e orientação sexual, sob o risco de o processo de representatividade nas corporações continuar a se arrastar, podendo colocar o próprio negócio em risco, já que os programas de inovação, tradicionalmente a cargo de profissionais mais jovens, podem sofrer apagões e comprometer a sobrevivência das empresas nos próximos anos ou décadas. “As empresas não podem ficar de fora e precisam ter um ambiente inclusivo. Isso é essencial. Não é só mais uma questão social, mas, sobretudo, econômica”, advertiu Ana Paula de Almeida Santos, moderadora do painel.  “Quanto mais diverso é um grupo, mais soluções inovadoras são encontradas, o que é algo comprovado cientificamente”,  disse Patricia Coimbra, presidente da Comissão de RH da CNseg, participante do debate.

A  divulgação do terceiro estudo “Mulheres no mercado de seguros no Brasil”, contudo, mostrou ações positivas do setor na redução das desigualdades. As mulheres são a maioria do quadro funcional no mercado segurador (55% no ano de 2018), ocupam cada vez mais cargos de chefia, mas a remuneração ainda é menor, na faixa de 71% e 72% do que recebem colegas homens. Pelo menos, a disputa é mais franca até os cargos gerenciais: no ano passado, 53,5% dos postos eram ocupados por homens e 46,5% por mulheres (no levantamento anterior, de 2012, elas ocupavam 41% das vagas de gerentes. “Podemos comemorar a redução das desigualdades no período de seis anos, mas há um longo caminho a percorrer para mudar esse quadro. Principalmente nos cargos de executivos, onde a presença feminina ainda é mais rara”, lembrou Maria Helena Monteiro, diretora de Ensino Técnico da Escola Nacional de Seguros (ENS), na palestra para apresentar os principais dados da pesquisa que envolveu  23 grupos seguradores, responsáveis por 80% de receita do mercado.

Outra boa notícia é que 44% das empresas participantes da pesquisa da ENS informaram que mantém programas de igualdade de gênero. O estudo da ENS, lançado oficialmente na 9ª CONSEGURO, tem 50 páginas e está disponível no portal da instituição de ensino.

Alice Merry, consultora de inclusão financeira e apresentadora do podcast Finance Feminist, reclamou engajamento das seguradoras no combate ao abuso econômico cometido contra mulheres por seus parceiros e assinalou que, como já fazem os bancos britânicos, podem se inspirar em suas ações para reduzir vulnerabilidades das mulheres assediadas. “Treinamento de pessoal, mudanças na forma de comunicação de sinistros e documentação alternativa para comprovar a identidade de vítimas de abusos, por exemplo, podem constar das cartilhas de seguradoras. No mercado londrino, bancos já aceitam o fechamento de contas conjuntas sem aprovação de parceiros agressores e cancelam apólices solicitadas pelas vítimas de relacionamentos abusivos”, disse a especialista.

Gabriela Ortiz, diretora-presidente da Caixa Seguradora, contou um pouco de sua trajetória vitoriosa na empresa. Ela trabalha em seguros há 22 anos- há três no comando da seguradora-, diz não pensar na sua condição de mulher enquanto trabalha, mas a presença de grande um número de mulheres em algumas modalidades de seguros, como previdência, reforça os sinais de que a percepção feminina pode fazer a diferença. 

Ana Paula de Almeida Santos, diretora jurídica da Care Plus, lembrou que a inovação assume um caráter cada vez mais estratégico no mercado, assinalando que o comando desses projetos tradicionalmente envolve jovens. Ainda que a taxa de retenção no mercado tenha avançado entre o grupo de jovens talentos - de 2% para 8% -, o compromisso com a diversidade é um gatilho para mantê-la crescente nas empresas. “Estamos disputando cientistas de dados com Google, Uber e, se não se apostar seriamente em sustentabilidade, vamos perder esses talentos e colocar em risco nossos programas de inovação.

Vinicius Mercado, subscritor sênior da AIG, relatou ações da seguradora multinacional para proteger minorias mais expostas a riscos de ódio, como os LGBT. Em parceria com a associação internacional LGBT, a seguradora criou uma cartilha para indicar locais que mais correm riscos em viagens internacionais, mantendo um call center para atendê-los em casos de incidente. A seguradora, que também oferece uma cobertura adicional por práticas de ações indevidas nas empresas no âmbito do D&O, avalia as políticas de diversidades desses clientes e afere taxas diferenciadas, o que é um claro indicativo de que discriminação pode custar cada vez mais caro ao negócio.

>> Confira a apresentação da consultora de Inclusão Financeira e apresentadora do Podcast Finance Feminist, Alice Merry

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