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A sustentabilidade na visão de uma agência de rating

Especialista da S&P Global destaca papel de protagonista do mercado de seguros diante dos riscos ASG

08 de Junho de 2017 - CNseg

A conexão entre o avanço dos desastres naturais nas últimas décadas, fruto do aquecimento global, e seu potencial de gerar perdas econômicas crescentes e capazes de inviabilizar empresas, setores, além de ceifar vidas e onerar os cofres públicos, coloca o mercado segurador no protagonismo da sustentabilidade, por meio de políticas de subscrição de riscos e de programas de gerenciamento de riscos para suavizar as ameaças veladas abrigadas na rubrica ASG (Ambientais, Sociais e de Governança Corporativa).

Este foi o tom da mensagem deixada pela diretora de serviços financeiros de ratings da Standard & Poor's (S&P), em Nova York, Laline Carvalho, que participou, hoje, do II Encontro de Sustentabilidade e Inovação do Setor de Seguros, promovido pela CNseg.

Lembrando que a grande maioria dos estudos sobre mudanças climáticas indica perdas mais frequentes e severas das catástrofes naturais nas próximas décadas, as seguradoras estarão entre as atividades mais importantes para mitigar riscos e, ao mesmo tempo, resilientes diante das intempéries, desde que tenham uma política adequada de subscrição de riscos.

O mundo, lembrou, terá de investir recursos pesados para evitar que haja um avanço nas temperaturas médias do planeta. Pelo Acordo de Paris, do qual os Estados Unidos acabam de anunciar sua retirada, os demais países terão de direcionar US$ 90 trilhões até 2030 em projetos de desenvolvimento sustentável. Ou seja, a cifra de US$ 15 trilhões anuais, recursos que, em prol das emissões de gases de efeito estufa, vão mudar o perfil da economia global, podendo colocar no escanteio as atividades mais poluidoras, como a indústria de petróleo, por exemplo. “Vão perder valor monetário e competitividade se não se adaptarem às novas regulamentações mais severas com as emissões. Esse é o que chamamos de risco de transição”, frisa Laline.

Estes riscos de transição devem estar no radar também dos investidores de longo prazo, como os fundos de pensão e as seguradoras de vida, que movimentam grandes ativos, porque há muitas incertezas sobre quais empresas serão sustentáveis nesse cenário.  Mais recentemente, investidores já miram os chamados projetos verdes, mas ainda há um gap enorme entre demanda e oferta. Parte do problema é esse. “É preciso melhorar a qualidade da informação a respeito. As empresas precisam se preparar, com projetos de sustentabilidade, para atrair os investidores”, disse Laline.
A previsão da especialista é que os títulos verdes – os green bonds - emitidos pelo mercado mundial, saltem dos US$ 90 bilhões em 2016 para cerca de US$ 150 bilhões este ano. “No Brasil, essa emissão é ainda pequena”, reconhece Laline, lembrando que somente Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinou, em maio deste ano, um bilhão de dólares para emissão de títulos verdes. “O futuro exige responsabilidade com soluções”, concluiu Laline.