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Guia de Proteção dos Patrimônios da Humanidade pelo Setor de Seguros é lançado em Mesa-Redonda da UNEP-FI em São Paulo

CNseg é uma das apoiadoras da Declaração que embasou o Guia, além de seis seguradoras brasileiras signatárias

16 de Outubro de 2019 - Eventos

O lançamento do Guia de Proteção dos Patrimônios da Humanidade pelo Setor de Seguros, elaborado pela Iniciativa dos Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI, na sigla em inglês), em parceria com a Organização para Educação, Ciência e Cultura da ONU (Unesco) e a ONG World Wide Fund for Nature (WWF), ocorreu durante a parte da tarde da Mesa-Redonda Regional da Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-FI), ocorrido em São Paulo (SP) nesta terça-feira, 15 de outubro, tendo a CNseg como uma das patrocinadoras do evento.

O Guia explica os riscos que as seguradoras enfrentam e descreve um conjunto de recomendações básicas e avançadas que elas podem implementar em suas atividades de gerenciamento de riscos, seguros e investimentos. Até o momento, além da CNseg, as seguradoras Caixa Seguradora, Liberty Seguros, Mongeral Aegon, Porto Seguro, Seguradora Líder DPVAT e Tokio Marine aderiram à Declaração de Proteção dos Patrimônios da Humanidade.

Participando do painel, o consultor de finanças sustentáveis da WWF, Marco Tormen, alertou para o fato de metade dos sítios de Patrimônio da Humanidade estarem ameaçados; entre outros motivos, pela extração de gás por oleodutos e pela retirada ilegal de madeira.

“Se não formos capazes de proteger estes ativos, que são insubstituíveis, o futuro da humanidade, então, será muito preocupante”, alertou o líder da UNEP-FI, Butch Bacani. Ele afirmou, ainda, que o desaparecimento destes sítios trará reflexos para toda a humanidade. “Os ativos culturais não conhecem fronteiras. Por isso, todos choraram quando, por exemplo, a Notre Dame pegou fogo”, afirmou.

“Os 240 Patrimônios da Humanidade correspondem a apenas 1% da área terrestre e, mesmo assim, nós os colocamos em risco por atividades industriais e de extração, que não poupam nenhum continente”, complementou Marco Tormen.

Segundo os participantes do painel, as seguradoras podem ajudar muito na gestão de riscos relacionados aos Patrimônios da Humanidade devido à expertise que já possuem em relação à gestão de riscos de uma maneira geral. Como exemplos, foram citados os seguros já existentes para um recife de coral em Quintana Roo, no México, e para os pântanos das Filipinas.

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A subscritora de Agricultura da Swiss Re, Isabel Ponce de León

Outra debatedora, a subscritora de Agricultura da Swiss Re, Isabel Ponce de León, afirmou que sua empresa já se ocupa do tema da sustentabilidade há anos, adotando práticas sustentáveis em todos os países em que atua. “Recebemos informações de seguradoras e de agentes públicos e, de acordo com essas informações, seguimos adiante ou não na aceitação de risco”, informou Isabel. Em 2018, a resseguradora também decidiu que não daria mais suporte para empresas que utilizassem mais de 30% de energia baseada em carvão em seus negócios, colocando-se à disposição para dar suporte em relação à adoção de outros soluções energéticas, como a eólica e a solar.

Força tarefa atua na divulgação de riscos financeiros relacionados ao clima

O painel seguinte, também mediado pelo líder da UNEP-FI, Butch Bacani, tratou da Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD, na sigla em inglês), que foi criada em 2015 pelo Conselho de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês) para desenvolver divulgações voluntárias e consistentes de riscos financeiros relacionados ao clima, sendo utilizada por empresas no fornecimento de informações a investidores, credores, seguradoras, e outras partes interessadas.

No painel, o especialista em Desenvolvimento Sustentável da Vivid Economics, Joe Capp, afirmou acreditar que o tema das mudanças climáticas tenha a capacidade de chegar ao núcleo das empresas, como ocorreu em relação ao tema da qualidade na década de 1980, quando a indústria automobilística asiática assumiu a liderança mundial no setor.

O diretor administrativo da Sitawi, Gustavo Pimentel, informou que, desde 2011, sua consultoria trabalha com empresas do setor securitário e financeiro que sabem dos impactos que o clima pode ter nas suas linhas de negócios e, por meio de modelos sofisticados e dados qualitativos, buscam estabelecer prioridades. O consultor destacou a trajetória de aprendizado do setor de seguros e a centralidade que o tema do clima vem assumindo nos últimos anos. Ele também disse acreditar que iniciativas como o Guia de Proteção dos Patrimônios da Humanidade pelo Setor de Seguros ajudam as seguradoras a priorizarem as melhores linhas estratégicas e a desenvolverem seus produtos para endereçar desafios como aqueles proporcionados pelas mudanças climáticas.

 

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