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Os desafios para o desenvolvimento sustentável relacionados aos seguros de vida e saúde

Evento da UNEP-FI aconteceu em São Paulo, com patrocínio da CNseg

16 de Outubro de 2019 - Eventos

 

Na parte da tarde da Mesa-Redonda Regional da Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-FI), realizado em São Paulo, em 15 de outubro, com patrocínio da CNseg, o painel “Moldando a agenda do setor de seguros de vida e saúde e desenvolvimento sustentável” contou, mais uma vez, com a moderação de Butch Bacani, que manifestou seu desejo de impulsionar a agenda dos Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI, na sigla em inglês) em relação aos seguros de Saúde e de Pessoas, que se relacionam com muitos elementos relevantes. A iniciativa PSI fez uma pesquisa junto às seguradoras para identificar as questões mais impactantes, tendo como resposta: a mortalidade resultante das mudanças climáticas, a longevidade, a questão demográfica e o uso demasiado de antibióticos, entre outros.

“Nos últimos anos, houve um aumento expressivo na expectativa de vida e dar acesso a uma população que envelhece e cresce é um desafio para a saúde pública e privada”, complementou a  diretora de Alegações de Saúde da SulAmérica, Erika Fuga.

Lembrando que, no Brasil, 47% da população não têm acesso à rede de esgoto e que os gastos públicos em saúde no País são menores que a média mundial, Erika apontou alguns outros gargalos que comprometem a atenção à saúde, como o foco na doença ao invés de na prevenção, o aumento da frequência de utilização dos serviços de saúde sem a contrapartida de mecanismos eficientes para a gestão de demanda, a baixa integração entre os players da cadeia produtiva e a judicialização da saúde.

Apontando a responsabilidade dos cidadãos, o diretor da Bradesco Vida e Previdência, Jair de Almeida Lacerda Jr., afirmou que a sociedade precisa ser mais consciente em relação à importância das vacinas e dos males do tabagismo, que geram forte impacto nos planos de saúde. “A prevenção é o caminho para lidarmos com todos os desafios na saúde”, concluiu.

A respeito da judicialização, Lacerda afirmou que um dos desafios é trabalhar a mudança do comportamento do consumidor, que precisa entender que quando a justiça ordena a cobertura de riscos não previstos em contrato, esses custos impactam a todos os mutuários. Sobre a previdência pública, disse que o modelo atual é inviável e mesmo o modelo a ser aprovado com a reforma ainda precisará ser aprofundado, o que exigirá maior consciência da população sobre a gestão do risco do envelhecimento e abrirá novas oportunidades para o setor de seguros.

Na exposição seguinte, os temas foram os desafios comportamentais, econômicos e sociais da longevidade, quando o presidente do Conselho da Mongeral Aegon, Nilton Molina, alertou para o “tsunami” que nos aguarda, gerado pelo aumento da longevidade e pela perda de empregos para as máquinas, que também impactam fortemente a previdência. “Como as famílias vão conviver com este processo de baixa renda e pouca oferta de trabalho?”, questionou.

Participantes debatem como desenvolver os seguros sustentáveis

O último painel do evento teve como título “Desenvolvimento de roteiros de seguros sustentáveis: objetivos e tendências”, onde foi debatido como os países podem ajudar seus setores financeiros e securitários a alcançarem suas metas de sustentabilidade.

Falando da experiência da CNseg, seu superintendente de Relações de Consumo e Sustentabilidade, Pedro Pinheiro, ilustrou a evolução do tema no mercado relembrando a trajetória de transformação do Relatório de Responsabilidade Social da Confederação no Relatório de Sustentabilidade do Setor de Seguros, baseado na metodologia GRI, que ao longo dos anos foi incorporando indicadores estratégicos de integração dos fatores ambientais, sociais e de governança nos negócios e culminou, na última edição, com a abordagem de alguns indicadores das recomendações do TCFD (Taskforce for Climate Financial Disclosure).

Pedro também enfatizou a transversalidade da agenda sustentabilidade em relação a outros temas estratégicos para o mercado, como os Seguros Inclusivos, a proteção do consumidor e a diversidade e inclusão, “algo que não parecia muito óbvio em 2012”. Atualmente, informou ele, essa agenda já é abraçada pelo ecossistema global de seguros, que abrange reguladores, seguradoras e entidades internacionais, e, por aqui, “também faz sentido que trilhemos este caminho”. Uma iniciativa nesse sentido, informou, foi o workshop Impact Insurance, realizado este ano pela CNseg em parceria com a Impact Insurance Facility da OIT, em que todos os participantes trataram da sustentabilidade de forma holística e pensando em soluções de entrega de mais valor para os consumidores de seguros.

Sobre temas a serem integrados à estratégia da Comissão de Sustentabilidade e Inovação da CNseg, citou os Direitos Humanos, que começam a ser abordados na agenda de diversidade e inclusão, e os diversos desafios econômicos e sociais do país, como a reforma da Previdência e a sustentabilidade do sistema de saúde. Pedro também relembrou a importância do estabelecimento de parcerias com o Governo para o tratamento de alguns temas, destacando o papel dos Municípios, já que, segundo ele, é nos Governos subnacionais onde “a batalha das mudanças climáticas será vencida ou perdida”.

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O representante da Susep, Paulo Vianna

Representando o órgão regulador do setor segurador (Susep), Paulo Vianna afirmou que as seguradoras devem sempre priorizar a prevenção ao invés da “cura” e têm um papel importante no incentivo de melhores práticas de gestão de risco, pois “paga menos quem cuida melhor e isso vale para todo o tipo de seguro”.

Já o presidente do Conselho da Mongeral Aegon, Nilton Molina, afirmou que, além da prevenção,  o setor também deve investir em inovação, pois “não iremos avançar se continuarmos a fazer o que sempre fizemos”.

No encerramento do evento, o líder da UNEP-FI, Butch Bacani, fez um balanço das discussões, lembrando que “não pode existir desenvolvimento sem o respeito aos direitos humanos”.

 

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