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Expansão mais vigorosa do mercado depende do aumento da renda

1º Congrecor discutiu riscos e oportunidades para o mercado segurador em Uberlândia

06 de Maio de 2019 - Economia

 

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Da esquerda para a direita: o presidente da Fenacor, Armando Vergílio; o deputado federal e presidente do Sincor Goiás, Lucas Vergilio; o presidente da CNseg, Marcio Coriolano; e presidente da Escola Nacional de Seguros, Robert Bittar

A renda da população brasileira, predominantemente baixa e média, continuará entre os desafios à expansão mais vigorosa do mercado segurador, avalia o presidente da Confederação das Seguradoras (CNseg), Marcio Coriolano.

Para ele, a incorporação de mais pessoas ao mercado segurador depende da elevação da renda agregada, porque cerca de 85% da população brasileira recebe até cinco salários mínimos. “Somos um país com um enorme contingente de pobres, e aqueles que recebem uma renda média priorizam despesas de alimentação e educação, havendo restrição de recursos para  proteção adequada do seguro”, reconheceu ele, em sua participação no talk show do 1º Congrecor, evento realizado em Uberlândia na semana passada (2 e 3) para discutir perspectivas, riscos e novas oportunidades no mercado segurador.

Para melhorar progressivamente salários e renda da população, ele aponta as reformas estruturais como o caminho mais assertivo. “Para a elevação da renda e do emprego são imperativas as reformas estruturais, como a da previdência”, disse.

Este quadro adverso da renda do brasileiro reflete-se nos números do mercado segurador. Trazida a valor presente pelo IPCA (índice de inflação), a produção de prêmios de automóvel em 2018, na casa de R$ 36 bilhões, recuou aos níveis de 2012, informou Coriolano. O que precisa ser revertido por se tratar da principal carteira de danos e de sua reconhecida relevância para os corretores de seguros. “Esses números falam por si. Mas não estou aqui para ser o arauto do caos. Temos um ambiente de oportunidades para aproveitar, olhando para frente. Por isso, o mercado segurador precisa ser inclusivo, colocando mais parcelas da população sob seu guarda-chuva”, afirmou ele.

A questão da inclusão foi abordada por Coriolano com várias medidas, como a criação de seguradoras especializadas em seguros inclusivos, com menor carga regulatória, a flexibilização de produtos com coberturas reduzidas, e a adoção de contratação digital. O mantra da inclusão social via seguros deve ser repetido perante autoridades do governo, do Executivo, dos órgãos de supervisão, para que todas as amarras sejam retiradas na marcha de expansão do mercado.

O presidente da CNseg representou as seguradoras no talk show que reuniu diversas autoridades para discutir “As atualidades do mercado segurador”. Esse painel foi o primeiro do segundo dia do evento promovido pelos Sindicatos dos Corretores (Sincors) de quatro estados (MG, MT,MS e GO) mais o Distrito Federal (DF). Os debates do encontro giraram em torno da inovação, negócios e oportunidades. Mais de 1,3 mil pessoas participaram do encontro, segundo os organizadores.

Outros temas

O talk show, coordenado pelo presidente do Sincor Goiás, Lucas Vergilio, reuniu também o presidente da Escola Nacional de Seguros, Robert Bittar, e o presidente da Fenacor, Armando Vergilio.

Robert Bittar adiantou as mudanças para converter a Escola Nacional de Seguros (ENS) em uma escola de negócios, sem perder o seu DNA de seguros. “Mantendo nosso colchão de seguro, a ideia é abrir novos horizontes, aproveitando-se de nosso nível de excelência conferido pelo MEC na sua última avaliação- a ENS recebeu nota máxima (5) em todos os quesitos avaliados, figurando entre as quatro instituições de ensino a conseguir tal façanha. Portanto, temos condições de transformar a ENS em uma escola de negócios em qualquer área de gestão ou administração”, assegurou ele.

Robert Bittar disse que a educação continuada dos profissionais é vital para o desenvolvimento do mercado e lamentou que esta premissa não seja considerada por todos os players de mercado.

Já Armando Vergilio destacou, em sua fala, que ocorre no mundo um crescente processo de desintermediação em seguros, algo que, inicialmente, coloca em risco o futuro do corretor de seguros.

Para ele, contudo, dados recentes que demonstram claramente que o consumidor não quer autosserviço em seguros. Então, o corretor precisa investir em treinamento e qualificação para agregar valor e continuar atuante. “Nossa profissão não está ameaçada, mas aquele profissional que não estiver antenado vai permanecer estagnado. Entender seu papel é fundamental para o corretor compreender seu futuro.

O avanço assustador da proteção veicular foi o tema de Lucas Vergilio. Ele pediu uma cruzada de todos os pares do mercado para levar conhecimento aos stakeholders e cobrar ações concretas dos órgãos de governo, como PF, Receita Federal, e área de segurança pública nos estados contra o câncer representado pela incursão das associações no mercado formal de seguros.

 

 

 

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