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2º WebTec da CNseg debateu a inflação e seus impactos no consumo, nos investimentos e na atividade econômica

Evento ocorreu em 13 de agosto, pela plataforma Zoom

14 de Agosto de 2020 - Webinar

A inflação, que pode ser definida como um aumento generalizado de preços de bens e serviços em um determinado período de tempo, tem forte impacto sobre os resultados financeiros de investidores e sobre as decisões de consumo. Nos anos 80 e 90, a hiperinflação brasileira evidenciou seus efeitos deletérios, reduzindo drasticamente o poder de compra das pessoas e empresas. Razão pela qual essa situação foi alcunhada de “imposto inflacionário”. Entretanto, por outro lado, muitos ainda desconhecem as consequências negativas de uma inflação muito baixa, como é a brasileira, atualmente. "A inflação baixa compromete uma acomodação adequada dos rearranjos de preço de acordo com o que está sendo mais ou menos demandado, podendo levar a um adiamento do consumo e a uma queda na atividade econômica”, afirmou Pedro Simôes, economista do Comitê de Estudos de Mercado (CEM) da CNseg - Confederação Nacional das Seguradoras, na abertura do 2º WebTec CEM CNseg, realizado em 13 de agosto, tendo como tema: “Inflação, Consumo, Investimento e o Setor Segurador”. O evento contou, também, com as participações do Diretor Financeiro do Grupo Bradesco Seguros e Presidente da Comissão de Investimentos da FenaPrevi, Vinicius Cruz; do Head de Educação Financeira da XP Investimentos, Thiago Godoy; e do Gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor, responsável pela produção do IPCA, Pedro Kislanov.

Apesar de haver inúmeras correntes de explicação para a atual inflação excepcionalmente baixa, não só no Brasil, como em grande parte do mundo, é consenso a influência exercida pela pandemia do novo coronavírus, que gerou uma contração da demanda maior que a da oferta. Assim, com a atividade econômica muito fraca, é natural, entre outros fatores, que as desvalorizações cambiais não sejam repassadas para o consumidor. Vinicius Cruz, explicou: “Como forma de tentar incentivar a economia, assim como a inflação, os juros estão também  em níveis excepcionalmente baixos no Brasil e no mundo. E isso também traz desafios para o equilíbrio da situação fiscal das empresas e assusta investidores".

Mas esse susto por parte dos investidores, somado a outros fatores, como a criação de novos produtos, como o Tesouro Direto, com sua facilidade de aquisição, tem gerado uma mudança positiva do perfil dos investidores, informou  Thiago Godoy.  E complementou: “Aos poucos, as pessoas vão se desgarrando da poupança, que é uma modalidade de investimento do século XIX, migrando para a bolsa e para a renda fixa.  Mesmo assim, disse Thiago, a população brasileira ainda desconhece conceitos básicos de educação financeira, como pôde ser constatado em recente pesquisa do Banco Mundial.  “Globalmente, há uma pressão dos governos por inclusão financeira, mas há um grande número de pessoas com dificuldade para lidar com o sistema financeiro e, por isso, esse esforço precisa ser acompanhado de um processo de educação financeira, sobretudo para os grupos mais vulneráveis, que são as mulheres de baixa renda e as pessoas próximas da idade da aposentadoria, que demonstraram ter o menor conhecimento sobre o tema entre os perfis analisados”, afirmou.  

Corroborando com a afirmação de Thiago Godoy, Pedro Kislanov ressaltou a importância de as pessoas saberem como os instrumentos financeiros afetam a nossa vida, assim como é importante que a sociedade conheça os índices de custo de vida, que visam identificar o quanto deve ser acrescido à renda do consumidor para que ele mantenha o mesmo nível de bem-estar.  

Kislanov explicou que, devido à sua subjetividade, os índices de custo de vida são buscados por meio de uma aproximação dos índices de preços, que podem ser mais facilmente aferidos. No Brasil, há vários modelos de aferição, com o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) sendo um dos mais utilizados e construído pela composição de 60% do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), 30% do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e 10% do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).  

Abordando mais especificamente o segmento de seguros, Pedro Kislanov afirmou que os dois produtos considerados no cálculo da inflação devido ao maior peso na pesquisa de orçamento familiar são o seguro de automóveis e o seguro saúde. Em relação ao seguro de automóveis, o cálculo é feito com levantamento junto a corretoras mas, segundo ele, esse processo ainda poderia ser melhor refinado. Já em relação ao seguro saúde, o cálculo é feito com base no aumento concedido anualmente pela ANS aos planos individuais.

Vinicius Cruz explicou o efeito da inflação no seguro saúde: "O seguro saúde é bastante relevante para o IPCA. A chamada “inflação médica” é uma razão direta que influencia no custo e consequentemente no preço. E acrescentou: "No setor segurador, o avanço tecnológico não vai necessariamente influenciar na baixa do preço. Os ganhos da tecnologia têm custos no curto prazo, que são somados à elevação de frequências de utilização, e seus efeitos positivos somente são captados a médio e longo prazos."

Confira abaixo a íntegra do webinar

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