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Bitcoin sofre sua segunda divisão mas continua a se valorizar

Valor que comprou 2 pizzas em 2010 poderia comprar mais de 4 milhões hoje

26 de Outubro de 2017 - CNseg

Em 22 de maio de 2010, um programador chamado Laszlo Hanyecz comprou duas pizzas usando 10.000 unidades da moeda digital chamada Bitcoin. Em 26 de outubro de 2017, com essa mesma quantidade de moedas, poderia comprar mais de 4 milhões de pizzas grandes no Brasil.

Com mais de 500% de valorização somente em 2017, o Bitcoin, que tem atraído, cada vez mais, a atenção de investidores, vive período turbulento, após sua segunda divisão. A primeira, ocorrida em 1º de agosto deste ano, gerou o Bitcoin Cash. A segunda ocorreu quando o Bitcoin dividiu-se novamente, em 24 de outubro, surgindo o Bitcoin Gold.

A independência em relação a qualquer autoridade central explica boa parte do apelo da bitcoin, mas também a torna mais vulnerável aos chamados “hard forks”, as divisões que ocorrem quando há diferentes visões dentro da comunidade que gerencia a criptomoeda.

De acordo com matéria divulgada recentemente no site da Bloomberg, existe uma divisão ideológica dentro dessa comunidade sobre quais caminhos a moeda deve tomar. Um grupo acredita que ela deve evoluir para atrair empresas convencionais e tornar-se mais atraente para o capital tradicional. Outro grupo gostaria manter as coisas como estão, deixando a moeda atuar mais como um ativo como o ouro ou como um sistema de pagamento.Na verdade, as mudanças dizem mais respeito ao Blockchain, que são as bases de registro das transações, que às moedas em si. Quando o Bitcoin foi criado, pensou-se em um modelo de registro das transações que fosse à prova de fraudes. Assim, todas as transações são registradas nos computadores dos milhares de “mineradores” da moeda, tornando impossível quaisquer alterações posteriores nesses registros, já que estão descentralizados, além de serem também mais transparentes.

Entretanto, para que isso ocorra, há um limite no número de transações que podem ser processadas simultaneamente. Consequentemente, os tempos de transação e as taxas de processamento tornam-se mais demoradas que a de outros serviços financeiros, como o dos cartões de crédito.

Entendendo isso como um impedimento para o crescimento contínuo da criptomoeda, um grupo de desenvolvedores defende que uma parte dos dados deva ser administrada fora da rede principal. Além de reduzir o congestionamento, dizem eles, isso também permitiria que outros projetos, como os contratos de seguro, por exemplo, com cláusulas de interesse apenas dos envolvidos, possam utilizar a tecnologia blockchain.

Do outro lado estão os mineradores, que utilizam computadores caros para verificar transações e atuam como a espinha dorsal do Blockchain. Eles propõem aumentar o limite do tamanho do bloco, já que levar os dados para fora da rede principal diminuiria sua influência. Liderando esta corrente, o chinês Wu Jihan, cofundador da Antpool, a maior organização de mineração do mundo, que já investiu milhões em torres de servidores gigantescas.

Sem conseguirem chegar a um consenso, a turma de Wu Jihan lançou o Bitcoin Cash, que aumentou o suporte dos blocos, de 1 MB para 8 MB, aumentando, consequentemente, a capacidade de processamento. Os críticos dizem, porém, que isso restringirá o número de mineradores com capacidade de processamento, aumentando a concentração destes.

Já o Bitcoin Gold segue o caminho contrário, tornando mais fácil para pessoas que não têm hardware especial minerar o ativo digital. Alguns grupos afirmam que o Bitcoin Gold não é um hard fork, mas uma mera altcoin, isto é, uma criptomoeda alternativa ao Bitcoin. Além disso, fala-se que o código para auditoria da moeda não está pronto. Outros “críticos”, mais contundentes, fizeram um ataque DDoS ao site do Bitcoin Gold, tirando-o do ar no dia do lançamento.

Apesar de todas essas turbulências, a fé nas moedas digitais parece não ter arrefecido, pois não foi registrado grandes quedas nas cotações. Atualmente, a bitcoin corresponde a 45% da capitalização total das criptomoedas. Em 21 de outubro, sua cotação atingiu a máxima histórica, equivalendo a US$6.147,07. Especialistas acreditam que ela ainda possa alcançar a marca de US$ 10 mil dentro de seis a dez meses.

Recente rumor de que a Amazon passará a aceitar o Bitcoin a fez valorizar ainda mais. Mas a moeda também tem seus críticos e céticos, como é o caso do diretor executivo do J.P. Morgan Chase, Jamie Dimon, que recentemente afirmou: "se você é burro o suficiente para comprar, você terá de pagar o preço um dia”.

Aqui no Brasil, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, alertou no último dia 16, durante evento em São Paulo, sobre o risco de bolha e formação de pirâmide nas operações do Bitcoin. Segundo ele, trata-se de um ativo sem lastro e as pessoas compram porque acreditam que a moeda vai valorizar. Quanto mais percepção de que o ativo vai se valorizar, mais pessoas compram e mais o preço de fato sobe. “Isso é a típica bolha ou pirâmide que existem na economia há centenas de anos”.

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Histórico do Bitcoin:

O Bitcoin surge entre 2007 e 2008, ironicamente, na mesma época da quebra do Lehman Brothers e de uma das maiores crises financeiras da história mundial.

Seu criador, uma figura misteriosa, cuja identidade não se conhece, com certeza, registrou, anonimamente, em 2008, o site Bitcoin.org. Em 2009, ocorre a primeira transação da moeda, com a taxa de câmbio entre a moeda virtual e o dólar estabelecida pelo New Liberty Standard como USD 1 = BTC 1.309,03.

Em 2010, o mercado para esta moeda digital já estava estabelecido e já era possível comprar e vender Bitcoins. A primeira compra real de um produto com a moeda virtual foi feita na Flórida, e consistiu nada mais nada menos do que na compra de uma bela pizza.

Em 2011, um australiano colocou a venda o seu carro por três mil bitcoins e pela primeira vez a moeda virtual alcançou a paridade com o dólar. Daí em diante o crescimento foi vertiginoso. Em 2013, ano do lançamento da versão 0.8, o valor total de mercado do Bitcoin ultrapassou 1 bilhão de dólares.

Na cotação de hoje, 26 de outubro de 2017, 1 Bitcoin vale USS 5,905.00.

 

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