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Evento • 28/08/2025
Inventário de carbono é ferramenta estratégica para o futuro do setor de seguros
2ª edição da série de workshops “Jornada do Setor de Seguros Rumo à COP 30” abordou o tema "Inventário de Carbono"
O setor de seguros brasileiro se prepara para a COP 30 com a série de workshops “Jornada do Setor de Seguros Rumo à COP 30”, organizada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). O segundo encontro, realizado em 20 de agosto, abordou o tema "Inventário de Carbono", com a participação de Luciana Dall’Agnol, superintendente de Sustentabilidade da CNseg; Nathalia Pereira, coordenadora de Finanças Sustentáveis da Way Carbon; e Caio Barreto, consultor de Finanças Sustentáveis da mesma instituição.
O evento online teve como foco desmistificar a contabilidade de carbono e posicioná-la como uma ferramenta de gestão estratégica para o setor. “A ideia aqui é trazer um panorama claro sobre como funciona a contabilidade de carbono no setor de seguros e por que isso é tão importante, principalmente para a agenda de sustentabilidade”, afirmou Luciana Dall’Agnol. Ela destacou a relevância de temas como as emissões seguradas e a metodologia PCAF, referência internacional no cálculo de emissões.
A importância do inventário de carbono
Abrindo o encontro, Luciana Dall'Agnol ressaltou que o inventário é uma ferramenta essencial para que empresas possam compreender, monitorar e reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. Segundo ela, “o inventário é o primeiro passo para a gestão de emissões. É ele que permite mapear as fontes, identificar os pontos de maior impacto e construir estratégias mais consistentes”.
Ela lembrou ainda que a realização de inventários vem se tornando cada vez mais demandada pela sociedade, pelos reguladores e pelos próprios investidores.
O Panorama da Contabilidade de Carbono e a Relevância do Escopo 3
Nathalia Pereira, coordenadora de Finanças Sustentáveis da Way Carbon, ressaltou que o inventário de gases de efeito estufa (GEE), embora complexo, é guiado por metodologias globais como o GHG Protocol e a ISO 14064. Ela explicou a divisão das emissões em três escopos:
- Escopo 1: Emissões diretas da operação da empresa, como o uso de combustíveis em frotas próprias ou gases de ar-condicionado.
- Escopo 2: Emissões indiretas provenientes da compra de energia elétrica.
- Escopo 3: Emissões indiretas da cadeia de valor, incluindo fornecedores, clientes e, no caso de instituições financeiras, emissões seguradas e financiadas (categoria 15), que podem ser até 700 vezes maiores do que os Escopos 1 e 2.
A consultora destacou que a categoria 15 do Escopo 3 é material para o setor financeiro e sua mensuração se torna cada vez mais relevante, inclusive sob a ótica regulatória. O reporte de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade será obrigatório para companhias abertas a partir de 2026, e a IFRS já estabelece que o reporte da categoria 15 é obrigatório para as instituições financeiras.
“Follow the Risk”: Emissões Seguradas como Proxy para Risco de Transição
A metodologia PCAF (Partnership for Carbon Accounting Financials) é a principal referência global para o cálculo de emissões do setor financeiro. O especialista Caio Barreto explicou que a PCAF adota a lógica de “follow the risk” (seguir o risco) para as emissões seguradas, entendendo que a seguradora, ao absorver o risco do cliente, pode influenciá-lo a reduzir suas próprias emissões.
"As emissões seguradas são o principal indicador de impacto climático para as seguradoras", afirmou Nathalia Pereira. "Ele é o retrato, ele é o que vai permitir acompanhamento, ele é o que vai permitir traçar uma estratégia factível". A metodologia permite que as seguradoras definam metas de descarbonização, analisem cenários de risco, e identifiquem oportunidades de inovação em produtos.
Para o cálculo, a PCAF cobre atualmente seguros para pessoas jurídicas e seguros de veículos. O primeiro passo é uma análise da carteira da seguradora para entender quais classes de ativos se enquadram na metodologia. O grande desafio, no entanto, não está na complexidade do cálculo em si, mas na governança e tratamento dos dados.
“O engajamento com as áreas de risco, com as áreas de TI, é muito importante, porque é esse pessoal que tem o domínio do dado”, explicou Caio Barreto. Muitas vezes, a escassez de dados primários exige que se recorra a estimativas, como a distância percorrida e a eficiência veicular, que podem ser obtidas em bases de dados como o Inventário Nacional e o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular.
Para seguros comerciais, a fórmula de cálculo é mais simples, mas depende do inventário de emissões das empresas seguradas. A metodologia prevê o uso de dados primários (inventário da empresa), de fatores físicos (baseados em produção, como toneladas de aço) ou, na ausência destes, de fatores econômicos (baseados na receita), que dão uma visão setorial das emissões.
Mais do que um relatório, o inventário é uma ferramenta estratégica
O workshop ressaltou que o inventário de carbono não é um fim em si mesmo, mas o ponto de partida para a gestão da estratégia climática. Nathalia Pereira enfatizou que, com o tempo, o processo se torna mais eficiente e a cobertura do inventário aumenta. A especialista também destacou que a agenda de descarbonização do setor de seguros vai além da métrica de emissões seguradas, incluindo o alinhamento de investimentos com a taxonomia sustentável brasileira e a participação no de-risking de projetos de mitigação e adaptação.
“As emissões seguradas podem ser usadas como uma ferramenta de gestão, mas a agenda de descarbonização para o setor de seguro também pode envolver outras estratégias", ponderou a consultora, mencionando o potencial de inovação em produtos, como seguros de veículos baseados no uso, que podem incentivar comportamentos de menor emissão.
Ao final do evento, Luciana Dall’Agnol reforçou a mensagem central: "O inventário de carbono não é ou não deveria ser visto como uma obrigação futura, mas deveria ser visto como uma ferramenta estratégica de posicionamento". Ela concluiu que o esforço da CNseg em promover o letramento do setor nessa agenda reafirma o papel das seguradoras como agentes de adaptação e atores importantes na transição para uma economia de baixo carbono.
Confira abaixo a íntegra do workshop
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