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Sustentabilidade no Setor de Seguros

Artigo de Fátima Lima em 07/08/2020

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por Fátima Lima

FatimaLima2.pngNo setor de seguros, cujo negócio é gerenciar e assumir riscos, a sustentabilidade destaca-se como um aspecto fundamental cada vez mais relevante no cenário atual, onde as empresas são avaliadas por sua capacidade de adaptação às mudanças e de gerenciamento das questões consideradas materiais para o seu negócio.

As externalidades socioeconômicas impactam profundamente o segmento segurador e, nesse contexto, os aspectos ambientais, sociais e de governança (ASG) têm contribuído para uma mudança positiva. Isso porque com o aumento da exposição dos negócios aos riscos ASG, as seguradoras que integram essas questões em suas operações conseguem promover soluções inovadoras em seguros, além de aperfeiçoar o seu processo de gestão de riscos.

Os consumidores, investidores e a sociedade em geral estão exigindo níveis cada vez mais altos de responsabilidade e transparência por parte das empresas. Por isso, os temas ligados à sustentabilidade devem estar integrados à estratégia de negócio, para que sejam vistos de forma unificada.

A incorporação de critérios de sustentabilidade à estratégia das empresas é um dos grandes marcos do processo de evolução mundial. Esse olhar estratégico a partir de um contexto mais amplo, que envolve não apenas o desempenho econômico-financeiro, mas considera também aspectos ambientais, climáticos, sociais, reputacionais e de governança, tem ganhado força no ambiente corporativo.

No mercado segurador, possibilita que a indústria enxergue cada vez mais longe, tendo como foco principal a busca pelo aprimoramento e pela mitigação de riscos associados às variáveis ASG.

Incluir a sustentabilidade na pauta de reuniões de diretoria e de conselho de administração amplia a visão sobre riscos e oportunidades. Quando o tema está integrado à estratégia dos negócios, a empresa tem um olhar mais amplo dos riscos aos quais está exposta, o que lhe permite acompanhar e avaliar de forma integrada os aspectos socioambientais, a atuação dos fornecedores e o ciclo de atendimento ao cliente.

Nessa abordagem, é importante considerar a incorporação da sustentabilidade como uma forma de gerar valor para os negócios e para os públicos com os quais se relaciona, já que essas questões são essenciais para a perenidade dos negócios e permitem entender a cadeia de valor de ponta a ponta.

Uma estratégia fundamental nesse sentido envolve a educação financeira. Além de oferecer produtos e soluções de seguros é importante também que as seguradoras invistam na promoção da cultura de proteção, disseminando informações para que as pessoas entendam a importância do seguro como um meio para melhorar o planejamento financeiro (principalmente entre setores menos favorecidos da sociedade), além de reduzir o risco de vulnerabilidade.

Apesar do mercado potencial, existe ainda um desconhecimento latente por parte da sociedade sobre o real benefício que o seguro pode proporcionar na vida de uma pessoa, principalmente em épocas de instabilidades política e econômica. E isso precisa mudar.  

A criação dos Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI), uma iniciativa que vem contribuindo em nível mundial para a integração efetiva das questões socioambientais e de governança na estratégia e tomada de decisão das seguradoras, é hoje uma das principais ações capazes de promover as mudanças necessárias para que tenhamos um mercado de seguros e uma sociedade mais resilientes e sustentáveis.

A CNSEG foi uma das primeiras entidades apoiadoras do PSI, acompanhando desde o início sua evolução em âmbitos nacional e mundial.

O setor de seguros tem uma agenda importante e precisa, cada vez mais, se antecipar para potencializar a sua responsabilidade não apenas como tomador de riscos, mas também como investidor institucional.

A mudança do clima, por exemplo, sinaliza um mundo em transformação. O risco climático é um dos mais relevantes para as organizações embora ainda seja pouco compreendido pelo mercado. Atenta a esse fato, a Financial Stability Board (FSB) criou em 2015 uma força-tarefa, a Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD), cuja sigla, em português, significa “Recomendações da Força-Tarefa para Relatos Financeiros Relacionados ao Clima”, para desenvolver recomendações que facilitem a divulgação de informações financeiras relacionadas ao clima para companhias em todo o mundo.

Nesse sentido, sabemos que os desafios ainda são muitos, mas é fundamental que as empresas compreendam esses riscos para a própria perenidade do setor de seguros e dos clientes.

O caminho para a sustentabilidade é de longo prazo. Para a indústria de seguros, fica o desafio de trabalhar em parceria com todos os envolvidos da cadeia de valor para antever a ocorrência dos aspectos ambientais, sociais e de governança, melhorando processos, gerando oportunidades e negócio e mitigando riscos.

As possibilidades são muitas. Cabe às empresas adotar essas práticas em seu dia a dia, em busca de um segmento mais responsável, transparente, consciente e preparado para o gerenciamento de riscos e o desenvolvimento de soluções sustentáveis para o setor.

O grande desafio é disseminar uma cultura de prevenção, por meio do seguro, para educar a população e garantir o seu acesso a produtos de seguro. É preciso levar informação para a sociedade, engajando as pessoas e empresas para a construção de um novo cenário, mais sustentável e inclusivo.

* Fátima Lima é Presidente da Comissão de Sustentabilidade e Inovação da CNseg, Diretora de Sustentabilidade da MAPFRE no Brasil e Membro do Board Internacional do PSI.

 

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